É tudo sobre a nossa intensidade insana. Desde os choros em meio à madrugada até as estrelas que adotamos antes mesmo de nascermos. Sei que às vezes você chora porque o que é bonito nos consome demais. Nossos gostos cresceram revirados para os medos. Os dramas, as desolações, os espetáculos psicodélicos e o amor. Não há nada que nos impeça de sentir à flor da pele. Pergunto-me se está mesmo certa a nossa juventude, se toda essa nossa consciência do que é mundo veio prematura. Ainda que existam outras saídas, ninguém será tão sublime e tão errado quanto a gente.
Amar? Amar é politicamente incorreto. Sem cautelas, sem orgulho, sem qualquer prioridade mais importante. Amar não tem nada a ver com regionalismos, com horários de trabalho, com regras de suba-após-preencher-o-formulário. As sacolas cheias de ameixas nas mãos, as meias encharcadas de chuva e de alegria nos nossos pés que corriam ao longo da avenida. A nossa sorte é nossa esperança.
(…)
E ser ainda mais interno, ainda mais fervoroso, o nosso jeito de se conectar. Confiaremos de todas as formas possíveis, pois estamos muito longe daqui. No âmago de nossas feridas, existirá aquele incompreensível cansaço pelas coisas que habitam o lado de fora. Precisaremos um do outro, e apenas disso. Só assim liberdade. Só assim realmente seremos nós mesmos. No quarto, um Bob Dylan no volume máximo, som refletido nas paredes para abafar meus gemidos… Play a song for me. In the jingle jangle morning I’ll come followin’ you.
Nosso encontro será para sempre poetizado nos braços da canção que o mundo compôs quando nos percebeu.
" — Mariane Cardoso (via perfeitasimetria)(via tatibernardi)